sábado, 27 de abril de 2013
A POLÍCIA MAIS CORRUPTA
Por: Aurílio Nascimento em 24/04/13 16:02
Ganhou destaque na imprensa nacional, uma pesquisa que aponta a Polícia Militar do Rio de Janeiro como a mais corrupta do país. Utilizando artifícios matemáticos questionáveis, bem como dados comparativos nada científicos, a pesquisa afirma que o estado de São Paulo, com um contingente policial militar bem maior do que o Rio de Janeiro, fica em segundo lugar no quesito corrupção. Já escrevi aqui sobre pesquisas e estatísticas, demonstrando que na grande maioria tais pesquisas são na verdade apenas uma justificativa para a gastança do dinheiro público, sem nenhum resultado positivo para a sociedade. Fazer, controlar e divulgar pesquisas são os sonhos de dez entre dez ólogos e ólogas que se aventuram na predileta questão da segurança pública.
A lista de adjetivos para classificar a tal pesquisa que aponta a PM do Rio de Janeiro como a mais corrupta é extensa: inócua, imoral, tendenciosa e covarde são apenas alguns. Inócua, pois nenhum resultado positivo trará para a sociedade; imoral, já que desprovida de qualquer princípio ético; tendenciosa, pois estigmatiza toda uma classe de trabalhadores, e covarde, pois não permite argumentos contrários, além de criar a sensação de que o simples fato de ser policial militar é antes de tudo ser corrupto.
Receber vantagem financeira ou não para a prática de ato condenável, sob o ponto de vista legal ou moral, é um comportamento que acompanha o homem desde que desceu das árvores, o que nunca deveria ter ocorrido.
Fosse ao mínimo honesta, a tal pesquisa, se é que pode ser assim classificada, faria perguntas aos entrevistados sobre o chamado Mensalão, o maior roubo de dinheiro público descoberto para a compra de apoio político. Dentro da quadrilha descoberta, não havia policiais militares do Rio de Janeiro. Os pesquisadores poderiam prosseguir, indagando sobre a chamada Máfia dos Fiscais, escândalo de corrupção ocorrido em São Paulo, no governo de Celso Pitta, onde também não havia policiais militares, nem de São Paulo e nem do Rio de Janeiro. Setecentas pessoas, entre grandes empresários e gerentes de banco, foram os responsáveis pelo desvio de US$ 24 bilhões de dólares para o exterior, no caso conhecido como Banestado. Também aqui não se tem conhecimento da participação de nenhum policial militar. Aproximadamente R$ 5,1 bilhões foi o montante desviado nos casos do juiz Lalau, Banco Marka, Anões do orçamento e Sanguessugas. Quantos policiais militares estavam envolvidos? Nenhum.
Certa ocasião, ouvi de um parlamentar que, se fosse possível fazer uma escala do nível de corrupção, a polícia estaria no jardim de infância, enquanto empresários e políticos já teriam concluído mestrado e doutorado. O argumento não justifica qualquer tipo de corrupção, mas mostra o cinismo de pesquisadores e de boa parte da sociedade, em apontar dedos mais dos que sujos para uma classe sofrida, que morre todos os dias, que trabalha com altos níveis de estresse, que é mal remunerada, como responsável por todos os males.
Por fim, faltou a pesquisa que não é pesquisa, mas engodo, provar o óbvio: Como corrupção é ato bilateral, necessitando da existência do corrupto e do corruptor, e em sendo a PM do Rio de Janeiro a mais corrupta, os habitantes do nosso estado seriam os maiores corruptores?
terça-feira, 23 de abril de 2013
23 DE ABRIL - SALVE SÃO JORGE GUERREIRO!
Em torno do século III D.C., quando Diocleciano era imperador de Roma, havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge. Filho de pais cristãos, Jorge aprendeu desde a sua infância a temer a Deus e a crer em Jesus como seu salvador pessoal.
Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe após a morte de seu pai. Lá foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade – qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde.
Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções.Por essa época, o imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.
Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da VERDADE. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: “O QUE É A VERDADE ?”.
Jorge respondeu: “A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e nele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da verdade.”
Como São Jorge mantinha-se fiel a Jesus, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Jorge sempre respondia: ”Não, imperador ! Eu sou servo de um Deus vivo ! Somente a Ele eu temerei e adorarei”.
E Deus, verdadeiramente, honrou a fé de seu servo Jorge, de modo que muitas pessoas passaram a crer e confiar em Jesus por intermédio da pregação daquele jovem soldado romano.
Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus no dia 23 de abril de 303. Sua sepultura está na Lídia, Cidade de São Jorge, perto de Jerusalém, na Palestina.
Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus no dia 23 de abril de 303. Sua sepultura está na Lídia, Cidade de São Jorge, perto de Jerusalém, na Palestina.
A devoção a São Jorge rapidamente tornou-se popular. Seu culto se espalhou pelo Oriente e, por ocasião das Cruzadas, teve grande penetração no Ocidente.
Verdadeiro guerreiro da fé, São Jorge venceu contra Satanás terríveis batalhas, por isso sua imagem mais conhecida é dele montado num cavalo branco, vencendo um grande dragão. Com seu testemunho, este grande santo nos convida a seguirmos Jesus sem renunciar o bom combate.
Lendas: um horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e se atirava contra os muros da cidade trazendo-lhe a morte com seu mortífero hálito. Para ter afastado tamanho flagelo, as populações do lugar lhe ofereciam jovens vítimas, pegas por sorteio. um dia coube a filha do Rei ser oferecida em comida ao monstro.
O Monarca, que nada pôde fazer para evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até às margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era São Jorge.
O valente Guerreiro desembainhou a espada e, em pouco tempo reduziu o terrível dragão num manso cordeirinho, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo, em nome de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.
Datas Marcantes No século XII, a arte, literatura e religiosa popular representam São Jorge, como soldado das cruzadas com manto e armadura com cruz vermelha, nobre um cavalo branco, com lança em punho, vencendo um dragão. São Jorge é o cavaleiro da cruz que derrota o dragão do mal, da dominação e exclusão.
Desde o século VI, havia peregrinações ao túmulo de São Jorge em Lídia. Esse santuário foi destruído e reconstruído várias vezes durante a história.
Santo Estevão, rei da Hungria, reconstruiu esse santuário no século XI. Foram dedicadas numerosas igrejas a São Jorge na Grécia e na Síria.
A devoção a São Jorge chegou à Sicília na Itália no século VI. No séc. VII o siciliano Papa Leão II construiu em Roma uma igreja para S. Sebastião e S. Jorge. No séc. VIII, o Papa Zacarias transferiu para essa igreja de Roma a cabeça de S. Jorge.
A devoção a São Jorge chegou a Inglaterra no século VIII. No ano de 1101, o exército inglês acampou na Lídia antes de atacar Jerusalém. A Inglaterra tornou-se o país que mais se distinguiu no culto ao mártir São Jorge…
Em 1340, o rei inglês Eduardo III instituiu a Ordem dos cavaleiros de São Jorge.
Foi o Papa Bento XIV (1740-1758) que fez São Jorge, padroeiro da Inglaterra até hoje.
Em 1420, o rei húngaro, Frederico III (1534) evoca-o para lutar contra os turcos.
As Cruzadas Medievais tornaram popular no ocidente a devoção a São Jorge, como guerreiro, padroeiro dos cavaleiros da cruz e das ordens de cavalaria, para libertar todo país dominado e para converter o povo no cristianismo.
Seu dia foi colocado no Calendário particular da Igreja, isto é, celebrados nos lugares de sua devoção.
O Sr. Cardeal D. Eugênio Sales, assim se pronunciou: “A devoção de São Jorge nos deve levar a Jesus Cristo”. Pela palavra do Cardeal Sales sentimos a autenticidade do Culto a São Jorge.
A quem ajuda: é a força de Deus na luta dos excluídos e marginalizados da sociedade.
Jorge sentou praça
Na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também
Sou da sua companhia.
Eu estou vestido com as roupas
E as armas de Jorge.
Para que meus inimigos tenham pés
E não me alcancem.
Para que meus inimigos tenham mãos
E não me toquem.
Para que meus inimigos tenham olhos
E não me vejam.
E nem mesmo em pensamento eles possam ter
Para me fazerem mal.
Armas de fogo
Meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
Sem o meu corpo tocar.
Cordas e correntes arrebentem
Sem o meu corpo amarrar.
Pois eu estou vestido com as roupas
E as armas de Jorge.
Jorge é de Capadócia
Salve Jorge!
Salve Jorge!
Salve Jorge!
Jorge é de Capadócia
Salve Jorge!
Salve Jorge!
Salve Jorge!
Deus adiante paz e guia
Encomendo-me a Deus e a Virgem Maria minha mãe...
Os doze apóstolos meus irmãos
Andarei neste dia nesta noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas as armas de são Jorge
São Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem
Tendo mãos não me peguem não me toquem
Tendo olhos não me enxerguem
E nem em pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo o meu corpo não alcançará
Facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é da Capadócia.
SALVE SÃO JORGE GUERREIRO!
'FORÇA' DE SÃO JORGE ATRAI TURISTAS NO RIO
DEVOTOS DE OUTROS ESTADOS VIAJAM PARA PARTICIPAR DAS HOMENAGENS CARIOCAS AO SANTO GUERREIRO. ALVORADA, CAVALGADAS, MISSAS E PROCISSÕES FAZEM PARTE DA FESTA
Há 30 anos, Ivete Aparecida, de 74 anos, vem de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, enfrentado 15 horas de viagem, para rezar por seu santo de devoção na Igreja de São Jorge de Quintino.
“Uma vez, fui presa por engano. Na delegacia, tive um sonho. Vi um cavaleiro descer do céu, como se saísse da Lua, dizendo que tudo seria esclarecido. Acordei com o delegado pedindo desculpas", conta Ivete.
Histórias como esta são contadas por milhares de devotos, que todo ano lotam as três igrejas do Rio onde se celebra o Dia de São Jorge: no Centro, em Quintino e em Paciência. Homenagens já começaram domingo na Baixada.
Além das missas, pontos altos da festa são as tradicionais cavalgadas, em Campo Grande e Queimados, na Baixada. O Mercadão de Madureira, onde são vendidas lembranças do Santo Guerreiro, também é local de peregrinação de fiéis e simpatizantes, com movimento médio de 80 mil pessoas nos dias que antecedem a data religiosa.
De acordo com o Padre Marcelino, que rezará as missas nesta terça-feira na igreja de Quintino, São Jorge representa, a realidade de milhões de brasileiros. “Ninguém melhor do que ele para deixar o exemplo de que devemos matar um dragão por dia para continuarmos firmes na batalha que é vida”.
Muitos prestaram suas homenagens nesta segunda mesmo. Em Quintino, o contador Assis Soares, 53 anos, com a mulher, Norma Cavalcanti, 52, moradores de Ipanema, deixaram acesa uma vela para “que o santo ilumine sempre nossos caminhos”.
Uma luz que, segundo a aposentada Maria Miriam, a levou ao altar. Cega, fez questão de subir sozinha as escada da igreja. "Minha vista está no coração", disse.
A Igreja São Gonçalo Garcia e São Jorge, na Rua da Alfândega, no Centro do Rio, recebeu mais de 300 fiéis ontem de manhã. O empresário Jorge Sá, 56, desde os 3 anos frequenta as alvoradas com a família. Durante o seu parto o cordão umbilical enroscou no seu pescoço. Seu pai, então, fez um promessa: se o filho sobrevivesse ele se chamaria Jorge. Salve Jorge!
PROGRAMAÇÃO
IGREJA SÃO GONÇALO GARCIA E SÃO JORGE, Rua da Alfândega 382, Centro
MISSAS
5h – Da Alvorada
8h – Pelos mortos
9h – Por desempregados
10h – Da família
11h – Por doentes
12h – Ação de Graças com Dom Orani
14h – Pelos aflitos e endividados
15h – Cura e libertação
16h – Da paz
18h – Dos Militares
20h – Missa Final
PARÓQUIA DE SÃO JORGE, Rua Clarimundo de Melo 769, Quintino.
5h – Missa da Alvorada
7h às 15h – Missas de hora em hora
16h – Procisão
PARÓQUIA SANTA RITA DE CÁSSIA, Rua Soldado Francisco Rios 132, Jardim Palmares, Paciência
AGENDA
5h – Alvorada Festiva
7h30 – Santa Missa, após café comunitário, na Rua X (Praça da Caixa)
12h – Oração
16h – Procissão com a Imagem de São Jorge e banda de música
17h – Santa Missa com festa, na Paróquia
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DAS FEIJOADAS PELO DIA DE SÃO JORGE:
RENASCENÇA: A feijoada começa às 13h, com o grupo Compasso da Vila e a participação de Jacaré e KK Salgueirinho. Rua Barão de São Francisco 54, no Andaraí. A entrada custa R$ 10 e a feijoada, R$ 15. Tel: (21) 3253-2322
UNIÃO DA ILHA: Das 11h às 13h, a entrada é gratuita. Quem chegar após às 13h, paga R$ 10 para entrar e R$ 20 pela feijoada. No evento, serão apresentados os reforços da escola de samba para o carnaval de 2014. Estrada do Galeão 322, Cacuia, Ilha do Governador. Telefone: (21) 3396-8169
IMPÉRIO SERRANO: A escola vai distribuir de graça cinco mil pratos de feijoada. A entrada também é grátis. A festa começa às 5h, na quadra da agremiação, que fica na Avenida Ministro Edgar Romero 114, Madureira. Telefone: (21) 2450-2711
FILHOS DE JORGE: O ator Nando Cunha, que interpreta o Pescoço da novela da Rede Globo “Salve Jorge”, promove, junto com irmãos e primos, a Feijoada Filhos de Jorge. Clube do América, na Tijuca, ( Rua Campos Sales 118), próximo à Praça Afonso Pena, a partir das 13h. A entrada é franca. A feijoada é grátis para os primeiros convidados. A partir das 13h.
CORDÃO DA BOLA PRETA: A festa começa às 13h, na Rua da Relação 3, no Centro. A velha guarda da Portela e o sambista Monarco também participam do evento. Ingressos a R$ 20 (os primeiros 200 que chegarem) e R$ 30 para quem chegar mais tarde. A feijoada custa R$ 18.
NO ALEMÃO, UM REFORÇO PARA O GUERREIRO
No Complexo do Alemão, a ligação entre o santo e comunidade ficou mais forte com a novela ‘Salve Jorge’, que se passa no local. “Sou devoto desde criança, ele é meu protetor. A novela resgatou São Jorge dentro da comunidade e está despertando a devoção na criançada. Nós aqui somos lutadores como ele” contou Marco Antonio Quintal, de 49 anos, morador da Grota, no Complexo do Alemão.
São Jorge movimenta até a economia. No Mercadão de Madureira, as 160 lojas recebem fiéis em busca de lembranças e artefatos de decoração. A expectativa é de que 80 mil pessoas passem por lá nesta terça-feira.
“Não temos hora para fechar, pois sabemos que muitas pessoas vêm de longe, e precisam de tempo para comprar lembranças e organizar a feijoada do dia”, diz a comerciante Sheila Reis.
Para Rodrigo de Souza, que vende artigos religiosos, as crianças pedem para os pais comprarem espadas: “Já os adultos levam velas, fitinhas e imagens”. Ontem a pedagoga Valéria Madureira comprava flores e velas para decorar a feijoada de São Jorge, que será saboreada com os amigos da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
FESTA DE SÃO JORGE NO LARGO DO BODEGÃO, EM SANTA CRUZ, COMPLETA 50 ANOS
Se a fé move montanhas, porque não uma bala de revólver alojada na espinha? É o que afirma Sebastião Bicaco, o atual presidente da Irmandade de São Jorge, como é chamado o grupo de 50 pessoas que organiza a festa popular do santo em Santa Cruz. Na ocasião, ele conta que cuspiu chumbo pela boca após ter sido vítima de um assalto.
— Eu chegava à casa de um amigo quando percebi o assalto. Levei um tiro no rosto. Mas, no hospital, vomitei a bala depois que fiz minhas orações a São Jorge. E depois que minha tia, de Umbanda, colocou uma guia dele no meu pescoço — relata Sebastião.
Até hoje ele agradece a salvação ajudando a preservar a famosa festa do Largo do Bodegão, no bairro, que completa 50 anos. E também louvando o santo.
— Fiz até uma tatuagem de São Jorge no meu braço direito — conta.
CAVALGADA COMEÇOU APÓS EPIDEMIA DE TIFO
A festa de São Jorge levanta poeira no Largo do Bodegão, em Santa Cruz, há 50 anos. É o mesmo tempo em que a irmandade, batizada com o nome do santo, faz cumprir a promessa por Claudionor Alves, criador da cavalgada.
— Ele trabalhava na área da saúde e desesperou-se quando a filha foi vítima de uma epidemia de tifo. Fez a promessa e foi atendido — conta Sebastião Bicaco, presidente da irmandade, que ajudou a construir a igreja no largo.
A festa receberá, hoje, o show da cantora Leci Brandão. Amanhã é a vez do grupo Balacobaco e, na segunda, do grupo Tá na Mente. Já na terça, dia do santo e o último de festa, quem sobe no palco é a banda católica Del Koro.
Nas ruas, são esperadas 10 mil pessoas, além de dois mil cavaleiros para a tradicional cavalgada do Largo do Bodegão.
FIÉIS DE SÃO JORGE VÃO TOMAR RUAS DO RIO PARA HOMENAGEAR O SANTO GUERREIRO
Fiéis se preparam para as homenagens a São Jorge, em seu dia, na próxima terça-feira. E vale ir a pé, de motocicleta ou montado no cavalo, a exemplo do Santo Guerreiro. Um grupo de mulheres de Cosmos, na Zona Oeste, já fez a sua escolha. Hoje, elas são 10% da cavalgada que reúne centenas de pessoas no bairro.
— Cavalgada costumava ser só coisa de homem. Acho que é porque São Jorge é um guerreiro. Eles se identificam mais com isso. Mas as mulheres também têm vez. E fé — defende Bárbara Pimentel, presidente do grupo Cavaleiros Unidos de Cosmos.
O grupo de mulheres participa da cavalgada há cinco anos. Elas inseriram na irmandade o uso de glitter na crina dos cavalos e de selas mais sofisticadas. Algumas chegam a comprar o equipamento de montaria todo em tons de cor-de-rosa.
Esta cavalgada de São Jorge acontecerá no dia dedicado ao santo, 23 de abril. A concentração dos cavaleiros será às 10h, em frente ao Regimento de Polícia Montada (RPMont), na Avenida dos Estados s/n, em Campo Grande, na Zona Oeste.
Apesar da potência de seus veículos ser medida em cavalos, são os motores de suas motocicletas que levarão participantes da Zona Sul à Igreja de São Jorge, no Centro. Motoclubes foram reunidos pela Associação de Batedores do Rio e, pelo décimo ano, farão uma procissão de motos, partindo do Forte de Copacabana.
— Somos 30 batedores, mas nos reunimos aos motoclubes. Os motociclistas têm uma relação muito íntima com São Jorge, um santo que foi guerreiro. É tradicional já. Somos os batedores da procissão no Centro da cidade — diz o presidente da associação, Sidnei Monteiro.
CELEBRAÇÃO NO CENTRO
Neste domingo, há missas às 9h, 10h e 11h30m. Nesta segunda-feira, às 9h, 12h e 18h. Terça-feira haverá missas de hora em hora, das 8h às 16h e às 18h e 20h. No dia 28, haverá missa campal às 9h, seguida de procissão. A Igreja de São Jorge fica na Rua da Alfândega 382, ao lado do Campo de Santana.
MOTOCICLETAS
Batedores homenagearão o padroeiro das Forças Armadas, na terça, com procissão de motos. Eles partirão às 10h da paróquia da Ressurreição, na Rua Francisco Otaviano, em Copacabana, e participarão de missa às 12h, na Igreja de São Jorge, no Centro.
QUINTINO
Segunda-feira, haverá missa de véspera, às 19h. Na terça-feira, serão celebradas missas às 5h e 7h, de hora em hora entre 9h e 15h, e às 17h e 18h. A procissão acontece às 16h, partindo da Igreja, na Rua Clarimundo de Melo 769.
SANTA CRUZ
Missas na capela de São Jorge, no Largo do Bodegão, na terça-feira, às 6h, 7h30m, 9h, 10h30m, 12h, 13h30m, 15h e 16h30m e 17h. Após as missas haverá procissão.
IGREJA DE SÃO JORGE NO RIO, FREQUENTADA POR THÉO E MORENA EM ‘SALVE JORGE’, FAZ OS ÚLTIMOS PREPARATIVOS PARA A FESTA DE TERÇA-FEIRA
As 70 mil velas já estão devidamente arrumadas nas prateleiras, assim como os diversos tipos de camisas estampadas com a oração ou a imagem de São Jorge (ou os dois ao mesmo tempo!). As réplicas do Santo Guerreiro também já estão expostas, ajudando a compor o cenário formado pelas barracas espalhadas pelo pátio da Paróquia de São Jorge, em Quintino. Tudo pronto para a festa que será realizada amanhã, dedicada ao santo — considerados um dos mais populares entre os cariocas.
— Desde sexta-feira, um grande número de devotos começou a circular por aqui. A expectativa é que, até amanhã, 200 mil pessoas passem pela paróquia — destaca o diácono José Francisco Pinto, de 53 anos.
A servidora pública Vanessa Ribeiro, de 28 anos, estará junto aos fiéis presentes na igreja. Ontem, porém, ela já apareceu na paróquia para agradecer e comprar alguns produtos.
— Vim acender uma vela, pois deu tudo certo durante a cirurgia de redução de estômago que acabei de fazer. Além disso, comprei camisas para minhas filhas e meu marido, e uma imagem de São Jorge — conta ela, acompanhada das herdeiras e do companheiro Luiz Vinicius Lopes, de 29 anos, que, inclusive, foi batizado na igreja de Quintino.
Segundo o comerciante Caliu Guerreiro, que trabalha na barraca das camisas, a expectativa é de que sejam vendidas cerca de 20 mil peças até esta terça-feira.
Entre as novidades que o público poderá conferir este ano está a vela de duas cores. De acordo com o diácono José Francisco, existe uma razão para isso.
— Por conta do sincretismo, algumas religiões procuram velas vermelhas neste dia, já os católicos costumam apostar na branca. Este ano, teremos vela de sete dias vermelha, além da de 12 horas nessa mesma cor e branca — justifica.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
LAR, DOCE LAR! (PARTE 1)
"Eis meu lar, minha casa, meus amores" (Casimiro de Abreu, No lar, 1859).
Nada resume melhor a importância do lar como a frase de Casimiro de Abreu, já que o lar é uma das coisas mais valiosas que se pode ter.
O lar é o oásis no deserto; é a proteção contra a inveja, a intriga, a maledicência, o azedume. É o refúgio contra as tolices e intransigências típicas das frágeis relações no ambiente de trabalho. Mais ainda, é o lugar onde se guardam as preciosidades da vida: a família, as lembranças e os sonhos. Portanto, o lar é o santuário do homem e o local onde ele guarda sua privacidade. Decerto é o lugar onde também se guardam os objetos conquistados com o esforço do trabalho diário.
A casa é tão fundamental que a própria Constituição Federal a considera um local INVIOLÁVEL. O texto informa que “a casa é o asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.” (Constituição da República Federativa do Brasil, Artigo 5º, Inciso XI).
Assim, com tamanho significado, a casa é o lugar mais sagrado e protegido que pode existir. Talvez esse seja o único conceito compartilhado democraticamente por todos os seres humanos, considerando que até no sistema prisional, o novo preso deve pedir licença aos demais antes de entrar na cela. E se a regra funciona com indivíduos de espíritos e mentes elementares, também funciona com pessoas melhores.
O grau de violência que um arrombador pretende usar quando entra numa casa vazia é totalmente diferente do nível de violência daquele criminoso que força a entrada numa residência ocupada. O gatuno talvez desista da ação e fuja ao primeiro sinal de presença humana. Contudo, o assaltante que invade uma casa habitada está mais que disposto a usar toda a força física para conseguir o que quer. Na verdade, numa situação assim o aumento no grau de violência é apenas uma questão de capricho pessoal, sadismo e um pouco mais de pressão no gatilho do revólver. E não resta dúvida de que algo planejado para ser um simples assalto pode se tornar uma sessão de tortura, abuso e morte. Por isso, o arrombamento de uma casa é um crime sério e com consequências perigosas para seus habitantes.
Mas e quanto à casa de um policial? Bem, é tudo isso e mais um pouco, pois é a fortaleza que o separa e protege contra seus VERDADEIROS inimigos: golpistas, ladrões, assaltantes, assassinos, estupradores, etc. É o local onde ele pode finalmente baixar a guarda e experimentar a merecida paz, certo!? Infelizmente, parece que não!
Na noite de 03/01/2013, dois homens foram baleados após invadirem a casa de um Agente Federal. Ele estava no escritório da residência quando sua esposa chegou do trabalho. Ela estacionou o carro na garagem, abriu a porta da sala, entrou em casa e acionou o controle remoto para fechar o portão. Enquanto o portão era fechado, o policial ouviu um barulho forte vindo da garagem e o grito da esposa. Por ser um policial extremamente experiente e perspicaz, ele logo deduziu tratar-se de um assalto. Daí ele pegou sua arma e seguiu em direção a sala. O policial visualizou os dois assaltantes armados com revólveres no instante em que o primeiro delinquente apontava a arma para a sua esposa. Assim que os projéteis .45 ACP Hidra-Shok começaram a voar pela sala a uma velocidade de 980 km/h, os criminosos começaram uma fuga desesperada, conhecida como a “corrida da morte” (quando deixam para trás bonés, carteiras, armas, chinelos, comparsas). Os assaltantes correram para a garagem, mas como o portão já estava fechado, eles escalaram um muro alto e arrebentaram a cerca eletrificada. De acordo com testemunhas, lá fora um terceiro bandido deu fuga aos criminosos e os levou ao pronto socorro da cidade.
A notícia no jornal local informou que “após um cerco na região, policiais interceptaram um veículo com outros três suspeitos que teriam auxiliado no crime e no socorro aos baleados. Os policiais fizeram uma busca na casa dos suspeitos e encontraram diversos objetos sem procedência comprovada, além de um revólver que teria sido usado na ação. O primeiro criminoso ferido foi atingido no olho esquerdo, mão direita e cotovelo esquerdo. O outro foi baleado nos dois braços.”
Os dois estão vivos e se recuperam dos ferimentos no sistema prisional. Ao ser perguntado por que invadiu a casa de um policial, o criminoso cego disse: “Sou bandido, mas não sou burro! Dei mole, entrei na casa errada, na casa de um ‘cana’ bravo!”
Certa vez, outro Agente Federal disse que quando criminosos trazem o caos para sua vida, você deve retribuir do mesmo modo. É aí que a caça vira o caçador!
Mesmo com informações preliminares, é possível afirmar que o policial não cometeu qualquer erro. Ao ouvir o barulho vindo da garagem e o grito da esposa, ele imediatamente deduziu que era um assalto e agiu antes que fosse rendido. Ele fez a única coisa viável naquele momento: disparou sua arma até se livrar do perigo. Se ele fizesse diferente, se não acreditasse no perigo, se fosse obediente e tentasse negociar para poupar a vida de sua família, certamente a notícia seria outra.
Agora adivinhem onde estava a arma do policial enquanto ele permanecia no escritório? AO ALCANCE DAS MÃOS. É incrível, mas milhares de policiais quando chegam em casa logo se livram do excesso de peso que representa a arma, o coldre, o carregador sobressalente, o canivete tático e a carteira. É como se o policial desligasse o interruptor do seu estado de alerta justo no lugar mais sagrado que existe: o lar, doce lar. É óbvio que ninguém anda o dia inteiro pela casa com a arma na cintura; talvez alguns policiais ainda levem a arma para o banheiro quando estão sozinhos. Mas é só!
Então, você precisa enxergar a sua casa através dos olhos (ou do olho) do criminoso. Muitas vezes, você torna o trabalho do bandido mais fácil já que ele nem sequer precisa usar a força para entrar na sua casa - ele simplesmente entra por um portão, porta ou janela aberta.
Sempre que você está num lugar familiar a impressão que se tem é de total segurança. Isso acontece na delegacia de polícia, no quartel, dentro da viatura, do carro particular e em casa. Só que isso é uma ilusão, pois ninguém está 100% seguro em todas as ocasiões. Portanto, fique alerta, tranque sua casa o mais rápido que puder SEMPRE e mantenha sua arma de fogo à mão nos momentos que considera mais críticos (enquanto dorme ou espera alguém da família chegar).
Este artigo é uma homenagem ao Agente Federal pela reação marcante que salvou sua família e pela admiração e respeito.
Humberto Wendling é Agente de Polícia Federal e Professor de Armamento e Tiro lotado na Delegacia de Polícia Federal em Uberlândia/MG.
LAR, DOCE LAR! (PARTE 2)
Como policiais temos dificuldades em nos imaginarmos como vítimas da violência. Nós concluímos que furtos, roubos, invasões de domicílios e execuções só ocorrem com as outras pessoas, mas não conosco. Afinal, NÓS SOMOS OS POLICIAIS. E quem seria idiota o suficiente para tentar furtar, roubar, invadir nossas casas ou nos matar? Infelizmente, o mundo está cheio de bandidos estúpidos que fazem do crime uma profissão. E eles podem atingir qualquer pessoa, inclusive policiais.
Agora preste atenção nos noticiários por um momento. A circunstância principal na qual os policiais são mortos é o PERÍODO DE FOLGA, quando são vítimas diretas de um crime ou interferem num crime em andamento. Alguns criminosos podem atacar intencionalmente policiais uniformizados, suas viaturas ostensivas e os postos onde trabalham para roubar armas e munições. Esses ataques propositais também podem fazer parte de atentados contra a aparente ordem pública e a desejada paz social. Recentemente, porém, nós também temos percebido um aumento num estilo particular de assassinatos de policiais: a “vingança” ou “caçada”.
A polícia registrou mais um ataque a policial na região de Ribeirão Preto/SP. Um capitão da PM foi PERSEGUIDO por dois homens numa moto na noite do domingo (14/10/2012) e levou dois tiros (um na perna e outro na cintura). A vítima dirigia uma caminhonete quando notou que era seguido. Ele contou que os dois homens dispararam seis vezes contra o veículo. O policial conseguiu revidar e acertou os dois atiradores, matando um e ferindo o outro. Apesar de ferido, o policial conseguiu dirigir até o hospital da cidade. Os policiais militares paulistas estão em estado de atenção com os constantes ataques registrados contra a corporação. Foram seis ataques em menos de dois meses entre as cidades de Ribeirão Preto, Franca, Araraquara, São Carlos e Cravinhos. (ESTADÃO, 2012).
Em Aricanduva, zona leste de São Paulo, um policial foi EMBOSCADO por seis homens EM UMA ACADEMIA DE GINÁSTICA, por volta das 21h. Os bandidos dispararam pelo menos dez vezes contra o PM. Os criminosos não roubaram nada da academia nem da vítima. (R7 NOTÍCIAS, 2012).
No domingo (17/06/2012), mais um policial militar foi MORTO QUANDO CHEGAVA EM CASA, no bairro São Mateus, zona leste de São Paulo. Segundo a polícia, o crime aconteceu por volta das 9h, quando ele chegava do mercado com a mulher e a filha. (R7 NOTÍCIAS, 2012).
Pense sobre esses incidentes e suponha que você é o alvo de qualquer dos ataques. O que aconteceria? O que você faria? Como reagiria ante a possibilidade de alguns criminosos reincidentes seguirem você, sua esposa e seus filhos até sua casa para fazê-los as próximas vítimas? Certamente, essas são questões perturbadoras. Contudo, ainda mais perturbadoras são as possíveis consequências de tais incidentes.
Outra certeza que devemos ter é que a violência pode ocorrer com qualquer um de nós. A ideia de se tornar a próxima vítima pode provocar o desejo de nos tornarmos alvos difíceis para os criminosos. Existem indivíduos perversos desejando fazer coisas aterrorizantes, e muitos deles sequer se importam se somos policiais ou não, se estamos trabalhando ou descansando, se estamos sozinhos ou com nossas famílias, se ainda vibramos com a atividade policial ou se já "jogamos a toalha".
Nós não podemos impedir a intenção criminosa do delinquente, mas podemos nos tornar alvos mais difíceis de acertar para que os bandidos escolham outras pessoas. Isso parece insensível, mas sabemos que criminosos são preguiçosos. Se entre invadir uma casa protegida (com muro alto, concertina, cerca eletrificada, cachorro e um sistema de alarme) ou outra onde os moradores deixam a porta aberta, todos nós sabemos que o criminoso seguirá pelo caminho mais fácil. Portanto, tornar-se um alvo difícil começa exatamente com regras domésticas.
Existem coisas simples que você pode fazer para tornar todas as pessoas em sua casa mais seguras. A primeira e mais fácil delas é sempre trancar as portas e as janelas. Não importa se você vive numa cidade do interior ou na capital, sempre tranque as portas, portões e janelas. Existem muitos casos de bandidos que invadiram residências por uma porta ou janela aberta. Obviamente, uma porta trancada não vai impedir um invasor determinado, mas isso pode atrasá-lo o suficiente para que você alcance sua arma de fogo. E isso nos conduz ao próximo ponto: sempre porte sua arma quando estiver de folga e sempre tenha uma arma de fogo ao alcance das mãos quando estiver dentro de casa. Quando for dormir, ponha a arma ao lado da cama. Aproveite a oportunidade para deixar um telefone celular e uma lanterna acessíveis.
Quantos de nós já chegou em casa simulando uma entrada ou uma progressão, fez um fatiamento dos cômodos para verificar se o local está seguro (“limpo”)? Você pode conhecer cada centímetro da sua casa, mas já tentou progredir e fatiar os ambientes no escuro enquanto empunha sua arma? Saiba antecipadamente o que você deve fazer para ir de um cômodo ao outro; como fará o deslocamento no corredor; como realizará o fatiamento antes de entrar em cada quarto da sua casa enquanto seus filhos ainda dormem. Pense nisso e pratique de vez em quando antes que algo real aconteça. Pratique as técnicas que pretende usar com sua arma em total segurança (sem munição, sem carregador e travada).
Outras coisas simples que você pode fazer em casa é manter as cortinas/persianas fechadas durante a noite. Não dê aos criminosos a oportunidade de ver o layout de sua casa, cobiçar as coisas que você possui e saber exatamente onde você está dentro de sua casa. Durante o dia você pode observar com alguma facilidade alguém “investigando” sua casa ou seu prédio. Mas durante a noite essa pessoa pode se esconder a poucos metros de um local iluminado e não ser notado por quem está dentro de casa.
A maioria de nós não possui condições de instalar um sistema de alarme e de monitoramento de primeira linha ao redor de nossas casas. Mas existem alternativas mais acessíveis, tais como um cão (não precisa ser uma fera, mas um que faça o máximo de barulho com a aproximação de estranhos), trancas nas portas, grades, cercas eletrificadas, concertinas, etc. Mas o melhor e mais barato dispositivo de segurança preventiva é o estado de alerta. Assim, antes de sair de casa (a pé ou de carro) verifique a rua onde mora a procura de pessoas suspeitas que estejam na calçada ou no interior de carros ou motos.
Evite receber correspondências relacionadas ao trabalho policial na sua residência. Peça a empresa que envie o material para o seu local de trabalho. Sempre preencha cadastros com o endereço do trabalho como sendo o residencial. Não é preciso que os vizinhos saibam que você trabalha na polícia.
A mesma ideia vale para o seu uniforme ou para qualquer parte dele (coturnos e calças operacionais). Se for possível, evite sair ou chegar em casa com esse tipo de roupa. Um criminoso, mesmo o mais idiota, pode identificar um uniforme a quilômetros de distância.
Mude o trajeto da sua casa para o trabalho. Varie essa rota e cheque pelo espelho retrovisor se você não está sendo seguido. Se você suspeitar que está sendo seguido, faça algumas conversões (dobre algumas esquinas) ou circule o quarteirão para se certificar de que o veículo de fato o segue. Não vá para casa de jeito nenhum.
Sabemos que não devemos levar trabalho para casa, mas a verdade é que o trabalho sempre nos persegue. E basta portar uma arma, a carteira funcional e a agenda do celular com os números dos colegas para que isso aconteça. Sabemos também que as políticas de segurança pública são patéticas e que os cidadãos não possuem o direito de se defenderem por meio das armas de fogo. Num cenário como esse, fico incomodado em saber que alguns policiais não portam armas quando estão de folga. Outros sequer possuem armas próprias em casa. Outros ainda vão para o trabalho sem uma arma de fogo. Sinceramente, um dos melhores benefícios do trabalho policial é ser capaz de portar uma arma de fogo em qualquer situação mesmo após a aposentadoria.
Em uma sociedade realmente moral e civilizada, as pessoas somente interagem pela persuasão. A força não tem lugar como método válido de interação social e a única coisa que remove essa força da equação é uma arma de fogo, por mais paradoxal que isso possa parecer. Quando eu porto uma arma, você não pode lidar comigo pela FORÇA. Você precisa usar a RAZÃO para tentar me persuadir, porque eu possuo uma maneira de anular suas ameaças ou uso da força. A arma de fogo é o único instrumento que coloca em pé de igualdade uma mulher de 50 Kg e um assaltante de 105 Kg; um aposentado de 75 anos e um marginal de 19, e um único indivíduo contra um carro cheio de bêbados com bastões de baseball. A arma de fogo remove a disparidade entre força física, tamanho, número de agressores em potencial e alguém se defendendo. Quando eu porto uma arma, eu não o faço porque estou procurando encrenca, mas porque espero ser deixado em paz. A arma na minha cintura significa que eu não posso ser forçado, somente persuadido. Eu não porto umaarma porque tenho medo, mas porque ela me permite não ter medo. Ela não limita as ações daqueles que iriam interagir comigo pela razão, somente daqueles que pretenderiam fazê-lo pela força. Ela remove a força da equação. E é por isso que portar uma arma é um ato civilizado. Então, a maior civilização é onde todos os cidadãos estão igualmente armados e só podem ser persuadidos, nunca forçados.(CAUDILL, USMC).
Você também deve praticar com sua arma simulando condições fora do serviço, já que praticamente nenhuma organização policial promove qualquer treinamento com o uso velado da arma. Ao invés de verificar quantos impactos atingiram o alvo de papel, realize algum treino mais próximo do razoável para situações de risco. Simule que você está numa farmácia durante um assalto, seus braços estão levantados (posição de rendição) e você está de frente para o criminoso. Olhe a sua volta para identificar um comparsa. Treine como seria levantar a camisa, sacar RÁPIDO e atirar contra o bandido. Grite “polícia”. Olhe a sua volta novamente. Onde está o comparsa agora? Dica: nunca levante as mãos muito para o alto. Se você for abordado e os criminosos ordenarem que você levante as mãos, faça isso de modo que elas fiquem na altura dos ombros, no máximo. Desse modo, você pode alcançar sua arma com mais RAPIDEZ sem ter que fazer um movimento brusco e muito longo.
Se você estiver a pé, talvez indo para o ponto de ônibus, tenha um nível de atenção que possa abranger 360° a sua volta. Essa área deve se estender alguns metros adiante. Dependendo do lugar, do horário, etc., talvez você precise ampliar esse alcance. Procure identificar as pessoas e o que elas estão fazendo. Qualquer pessoa que pareça suspeita deve ser foco da sua atenção.
Mantenha um telefone celular sempre ao alcance e com bateria plena. Considere não inserir códigos de segurança ou bloqueio de teclas que possam atrasar ou dificultar uma ligação de emergência. Configure as teclas de discagem rápida do seu celular para ser capaz de discar para a polícia ou para algum colega. Ligar para o 190 é bom, mas muitas vezes é melhor ligar para um colega que é seu AMIGO DE VERDADE. Por isso também é importante fazer amigos em todas as polícias. Mas dependendo da organização policial onde você trabalha é preciso saber para quem NÃO se deve pedir ajuda, ainda que seja o colega da sala ao lado.
Estas são apenas algumas dicas que podem tornar sua vida e a vida das pessoas que você ama mais seguras. Isso não tem nada haver com ser paranoico; tem haver com estar alerta em relação aquilo e aqueles que estão a sua volta. Tem haver com estar preparado e ter um plano de ação porque muitas vezes os criminosos nos transformam em vítimas de seus crimes. Portanto, não seja uma vítima; tenha um plano; tenha um plano B; reaja; e faça com que os criminosos se arrependam de terem cruzado o seu caminho.
Arma é Civilização, Major L. Caudill, Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC).
Humberto Wendling é Agente de Polícia Federal e Professor de Armamento e Tiro lotado na Delegacia de Polícia Federal em Uberlândia/MG.
domingo, 14 de abril de 2013
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